quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

# Crônica sem título 01


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   Um sono pesado envolvia a madrugada enquanto todos dormiam; apenas um ser permanecia acordado naquele bairro maldito...
   Essa criatura não deveria ser baixa por natureza, mas a forma como se alongava por sobre os ombros o tornava miseravelmente baixo como um soco nas bolas, sua pele era escamosamente branca como uma bruma e sua forma era tão desprezível que não vale a pena descrevê-la nessa crônica.
   Provavelmente, caro leitor, você deve ter imaginado tal situação passando-se nos tempos atuais, algum magro esquálido de óculos, andando pela rua escura de um gueto como um qualquer. Pois hoje, você aceitaria facilmente essa criatura, e deve ter pena dela; te digo, não...
   Não estamos em tempos atuais no assunto do qual falamos... Falo de um ser no século XIV. Não consegue imaginar esse século? Então vai ler na Wikipédia, pare de ler esse lixo...
   Retomando a narrativa, esse ser caminha em sua casa. Como posso chamar isso de uma casa...? Apenas por que não havia nada melhor naquela época, então um simples barraco de madeira coberto por alguns ramos de palha velha era chamado de casa. Não estou criticando, era bom assim, só que apenas diferente... Mas o barraco de madeira coberto por alguns ramos de palha velha desse ser era pior ainda... Lá havia vazamentos nos telhados (que foram por causa da pura negligência do proprietário), e todos vazavam com a neve em degelo, fazendo a casa ter aquela sensação de mofo apodrecido de quando você entra em uma cripta...
   Apenas pela narrativa do telhado é possível imaginar como o resto da casa era um monte de lixo, mas (ainda que apenas) um canto dela possuía um objeto de valor... 
   Em cima de uma pequena bancada suja de limo, havia um simples bracelete de cobre oxidado. Era possível ver a marca de limo ao seu redor, como se nunca tivesse sido tirado de lá, como se já lá estivesse antes do ser incrivelmente nojento habitar a casa, antes mesmo que a madeira da mesma tivesse nascido. Mas a nossa historia não é sobre o bracelete, é sobre o ser nojento, que nesse momento desce as escadas lentamente, e sai pela porta úmida e fétida para a escuridão da vila do lado de fora.

2 comentários:

  1. vai me achar doente se eu disser que tá legal pra caramba e que quando vc descreveu o cara eu imaginei no sec XV antes de ler que era no sec XIV? Ah, cheguei perto, né?

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